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sábado, 30 de outubro de 2010

Tattau - ou a arte na Pele (parte1)


A tatuagem ou tattoo (derivada da antiga onomatopeia polinesiana "tatau" ) e todas as praticas de modificacao corporal permanente (piercing, escarificacao e branding) foram e sao utilizadas por muitissimas culturas, tanto antigas quanto contemporaneas e acompanhando o homem por grande parte de sua existência, e respondem a quatro funcoes principais tais como: funcao ornamental; funcao terapeutica e/ou preventiva (sobretudo nas culturas mais antigas); funcao de posicionamento ou status social como marca de identificaçao dos membros de uma etnia ou de certo status social (desde o senhor e rei ao escravo e prisioneiro), ou como genero sexual e por ultimo como funcao religiosa.
Grande parte das vezes em muitas culturas este tipo de modificacao corporal representa um ritual de passagem em muitas culturas, como por exemplo da infancia para a idade adulta.

A historia da tatuagem começa com a historia do homem.
Acredita-se que desde a era pré-histórica do Paleolitico Superior (Homem de Cro-Magnon, 35.000- 10.000 a.C., e Neolitico, VIII – IV milenio a.C.) e gracas a descoberta de estatuetas com sinais geometricos no corpo, supoe-se que os homens, dotados de habilidades em extrair cores de minerais e vegetais (as cores mais utilizadas seriam o ocre vermelho e o preto das cinzas de carvao e que ainda hoje e materia prima para o preto da tinta usada para tatuagem), utilizassem instrumentos pontiagudos tais como ossos, dentes, paus afiados, etc. para realizar marcas permanentes no corpo.
A primeira prova concreta do amplo uso de tatuagens feito pelo homem na Europa teve-se com Ötzi, a múmia descoberta em 1991 nos Alpes italianos e datada do IV milenio a.C. que continha 57 tatuagens, algumas das quais eram localizadas em (ou perto de) pontos que coincidem com os atuais pontos de acupuntura, tais como uma cruz atras do joelho esquerdo, seis linhas retas de 15 centimetros na regiao dos rins e numerosas pequenas linhas paralelas da lombar ate as pernas e tornozelos que os cientistas creem que podem ter sido feitas para tratar os sintomas de doenças de que Ötzi parece ter sofrido, como parasitas digestivos e artrose.



Outra múmia descoberta na Siberia e chamada de o homem de Pazyryke e datada entre o V e o IV seculo, foi extraida do permafrost (solo permanentemente congelado) de Altai no Cazaquistao em 1940, e uma múmia feminina e uma masculina no Planalto de Ukok em 1990. Suas tatuagens envolviam padroes animais representados em estilo curvilineo. O homem de Pazyryk era um chefe Cíta. Os citas eram um povo da Eurasia de origem iraniana que ocupava as fronteiras da Mongolia, China, Russia e Cazaquistao. Ele tem lindos desenhos de animais reais, tatuados com grande arte nos ombros, bracos e pernas,tais como varios peixes, tigres, leopardos, cavalos, carneiros selvagens, cervos, as vezes combinados em cenas de caça e animais fantasticos e monstros e tambem como uma serie de pontos ao longo da coluna vertebral na regiao lombar e ao redor do tornozelo.

A tatuagem foi utilizada por todas as grandes civilizacoes antigas das quais a destacar:

Egípcios

Provas arqueologicas confirmam que no antigo Egipto (4000 a 2000 a.C) se tatuava no Vale do Rio Nilo, descobriram-se corpos mumificados, recuperados da dinastia XI, que mesmo em tenra idade exibiam tatuagens. Em 1891, arqueologos descobriram em Tebas, os restos mumificados de Amonet, uma sacerdotisa da deusa Hartor e que viveu entre 2160 a.C e 1994 a.C. A mumia exibe varias linhas e pontos tatuados sobre seu corpo, pontos de agrupamentos e/ou tracos foram alinhados em padroes ornamentais, geometricos e abstratos, no peito, costas, pelve e pernas. As tatuagens nas costas e no peito, formam padroes de colares e cintos que eram claramente ornamental. As tatuagens na pelve acreditasse que seriam para aumentar a fertilidade.

Esta forma de arte era restrita somente a mulheres e geralmente mulheres ligadas com a pratica ritualistica. Cre-se ainda que foram os egi­pcios a disseminar a pratica da tatuagem pelo mundo.



Povos Amerindios.

America do Sul e Central

No Peru, mumias incas tatuadas encontradas datam do seculo 11. Quando Cortes e seus conquistadores chegaram a Costa do Mexico em 1519, ficaram horrorizados ao descobrir que os nativos nao so adoravam "demonios" em forma de estatuaria e idolos, mas que tambem tinham marcas indeleveis das imagens destes idolos na pele. Os espanhois, que nunca tinha ouvido falar de tatuagem, reconheceram-na imediatamente como obra de Satanas.



Brasil

Os Indios ja se tatuavam muito antes de os Portugueses terem chegado por volta de 1500 e o costume sobrevive ainda hoje em muitas das tribos Amazonicas.
A tatuagem e bastante valorizada dentro da cultura indigena, existem cerca de 200 etnias em territorio Brasileiro e ha uma enorme variadade de desenhos, mas sao poucos os indios que praticam a tatuagem definitiva.
Os mais complexos exemplos de tatuagem tribal brasileira sao os indios da tribo Kadiweu, que vivem na fronteira do Brasil com o Paraguai e que sao famosos pela arte refinada dos seus desenhos geometricos, os desenhos faciais e corporais destes guerreiros fascinaram muitos exploradores.
Os Kadiwéu são remanescentes da grande nação Guaikuru, que era nomade ate se apropriar, em 1672, da primeira tropa de cavalos trazidos por colonizadores espanhois. A partir dai tornaram-se em temiveis indios cavaleiros e chegaram a dominar toda a regiao resistindo a colonizacao durante seculos.
O processo de tatuagem era muito doloroso, a pele era furada com um espinho ate escorrer sangue, quando entao eram colocadas cinzas de folhas de palmeira ou tinta do Jenipapo sobre as feridas, antes da cicatrizacao o ferimento inchava e o tatuado sentia muitas dores ate cair a casca preta e o desenho ficar azulado, as tatuagens eram feitas entre os 14 e os 16 anos quando o jovem ja tinha idade para suportar o sofrimento e servia como ritual de passagem para a maioridade. Os desenhos eram exibidos com vaidade e prova de coragem.





America Norte

Antigos jesuitas narram terem testemunhados a pratica generalizada de tatuagem entre os nativos americanos, entre os "Chickasaw", guerreiros notaveis e que eram reconhecidos pelas suas tatuagens. Entre os "Iroquois" em que o acto de ostentar tatuagens reflectia um status elevado.



No noroeste da America, os queixos de mulheres inuit eram tatuados para indicar o estado civil e identidade grupal. A primeira loja de tatuagem permanente na cidade de Nova York estabelecida em 1846 e iniciou uma tradiçao por tatuagens em militares de ambos os lados da guerra civil.
Foi Samuel O'Reilly em 1891 patenteou a primeira maquina eletrica de tatuagem e que e utilizada ate hoje sofrendo somente algumas alteracoes.



Pouco foi escrito sobre Samuel O´Reilly, tudo que se sabe sobre esse tatuador de Nova York vem de artigos de jornais e do livro de Albert Perry: Tattoo, Secrets of a Strange Art as Practiced by the Natives of the United States (1933, sem tradução) e que descreveu O´Reilly como um imigrante irlandes que ficou conhecido como o criador da primeira patente de uma maquina de tatuar eletrica nos Estados Unidos, no ano de 1891, epoca em que O´Reilly já era um conhecido tatuador de Nova York, onde chegou por volta de 1875.
Apenas uma de suas máquinas ainda existe, e nao possui o sistema de tubos original (parte relativa a posiçao das ponteiras atuais).
Apos a entrada da patente, muitas atraçoes de circos e sideshows foram ate ele para adiçoes nas suas coleçoes, ele tatuou diversas atraçoes desses shows, tais como John Hayes, Frank & Emma deBurgh, Calavan, George Mellivan e Annie Howard, entre outros. Essas pessoas do show bussiness circense acharam a máquina eletrica de O´Reilly proporcionava um trabalho mais rapido e limpo.
Samuel O´Reilly tinha uma loja na Broadway e na Bowery em Nova York mas foi no número 11 da Chatan Square que ele fez seu nome. A famosa loja #11 Chatham Square nao era mais que um quartinho apertado atras de uma barbearia, O´Reilly ficou nesse espaço por varios anos e seu aluno, Charlie Wagner ficou lá até a sua morte, em 1953, tambem ha mençoes que dizem que O´Reilly trabalhava no verao nas ruas lotadas da famosa Stillwell Ave. em Coney Island.
Albert Parry relata que Samuel O´Reilly morreu em 1908 de uma queda quando pintava sua casa no Brooklyn, NY.


Frank & Emma deBurgh

Povos do Pacifico Sul

Polinesia

Nas Ilhas Polinesias o uso da tatuagem era e e uma questao de postura social, estas sao feitas com bastoes de madeira, na ponta destes sao fixados dentes de cao, por se tratar de um animal sagrado.



A tatuagem polinésia é uma das mais artisticas em todo o mundo antigo.
Ela se desenvolveu durante milhares de anos nas ilhas do Pacifico e em sua forma mais avançada, era caracterizada por designs geometricos muito elaborados.
Os desenhos eram normalmente incrementados, aumentados e renovados durante a vida da pessoa, ate que seu corpo ficasse completamente coberto.
Eles se sobressaíam em artes e desenhos. Tudo o que faziam era decorado: canoas, potes, armas de guerra, ferramentas e ate mesmo seus corpos eram marcados com desenhos bastante elaborados. A arte da tatuagem fazia parte da vida destas pessoas de forma natural.
Chamados de Lapitas (Lapita é o nome de uma cultura neolítica que se estendeu desde pontos da costa norte de Nova Guiné e o archipiélago Bismarck até Nova Caledonia, e as ilhas Samoa e Tonga, no oeste do Oceano Pacífico. É considerada a precursora de diversas culturas contemporâneas de parte da Oceania Próxima e posteriormente de Polinesia), por causa de um tipo de ceramica que produziam. A cerâmica Lapita é um assunto de interesse especial para a história da tatuagem, porque nos fornece a mais antiga evidencia que prova a natureza dos motivos das tatuagens polinesias.



Muitos dos potes e vasos de ceramica da cultura Lapida traziam decoraçoes neles gravados, que consistiam em elementos em forma de V, figuras geometricas interligadas e motivos estilizados, semelhantes a mascaras e criaturas do mar. Motivos similares são encontrados nas tatuagens da Polinesia e até mesmo a tecnica de gravar os desenhos em series muito proximas com pontilhados, sugere que a tecnica utilizada na decoraçao da ceramica era um tanto quanto similar a usada na tatuagem.

Diversos tipos de estatuetas, feitas em diferentes tipos de materiais e decoradas com desenhos semelhantes, foram encontradas juntamente com instrumentos utilizados para tatuar, em sítios arqueológicos dos Lapita. Estes instrumentos, dos quais alguns datam de mais de três mil anos atrás, consistem em pedaços achatados e bem delineados de osso, sendo que uma das suas extremidades possui a forma de um pente, com dentes bastante pontiagudos. Eles eram presos a um longo cabo de madeira. O artista mergulhava o instrumento em um pigmento negro, feito de fuligem e agua, e fazia a tatuagem batendo levemente no instrumento com uma pequena marreta. Esta tecnica, que jamais foi encontrada em outra parte do mundo, foi bastante comum em toda area do Pacifico e continua sendo utilizada ate hoje por artistas tradicionais em Samoa.



Embora a produçao de ceramica tenha terminado durante a epoca do nascimento de Cristo, a arte da tatuagem tornou-se mais e mais sofisticada. A tatuagem praticada nas ilhas Fiji era um tanto quanto minima, estando limitada a area pubiana das mulheres. De acordo com lendas antigas, variaçoes do que foi registrado em Fiji, Tonga e Samoa, duas embaixatrizes, introduziram a arte da tatuagem nestas ilhas.
As duas mulheres eram tatuadoras e entraram a bordo de um navio com suas ferramentas, cantando: “Tatuem as mulheres, mas nao os homens!”. Durante a viagem, elas encontraram uma variedade de infortunios, que iam desde tropeços ate ao encontro com furacoes e gigantes comedores de mariscos. Como resultado, na hora em que chegaram em Tonga, elas ficaram confusas e passaram a cantar: “Tatuem os homens, mas não as mulheres!”.
E foi aqui nestas ilhas em Tonga e Samoa que a tatuagem polinesia se desenvolveu, tornando-se uma refinada forma de arte. Os guerreiros de Tonga eram tatuados da cintura até os joelhos, com figuras geometricas dispostas em serie, que consistiam em motivos triangulares repetidos, faixas e areas negras solidas. As tatuagens eram feitas por sacerdotes, os quais se submetiam a um longo período de treinamento e seguiam a risca uma serie de rituais pre-estabelecidos, durante o processo de tatuamento. Para os habitantes de Tonga, as tatuagens possuiam profundos significados sociais e culturais.
Na antiguidade das ilhas Samoa, rituais e combates eram passatempos populares e a tatuagem era um fator importante em ambos. O tatuador possuía uma posiçao altamente privilegiada e hereditaria na sociedade das ilhas. Eles costumavam tatuar grupos de seis a oito jovens, durante uma cerimonia assistida pelos parentes e amigos, que participavam atraves de rezas especiais e celebraçoes associadas ao ritual da tatuagem.
Assim como em Tonga, a tatuagem masculina em Samoa começava na cintura, mas em Samoa ela era estendida somente ate abaixo do joelho. As mulheres também eram tatuadas nas ilhas Samoa, mas os desenhos eram limitados a uma série de delicadas flores e estrelas, de formato caracteristicamente geométrico, feitas nas partes baixas do corpo e nas mãos.



Por volta do ano 200 d.C., viajantes de Samoa e Tonga chegaram as ilhas Marquesas, ali, durante um periodo de mais de mil anos, aconteceu a evoluçao de uma das mais complexas culturas da Polinesia.
A arte e a arquitetura marquesa foram altamente desenvolvidas e os desenhos caracteristicos dali, os quais, em muitos casos, cobriam todo o corpo, estavam entre os mais elaborados de toda a Polinesia.



Oitocentos anos mais tarde, cerca de 1000 d.c., os polinesios haviam colonizado com sucesso a maioria das ilhas habitaveis a leste de Samoa. Traços culturais distintos evoluiram em cada um dos grupos de ilhas da Polinesia e no tempo em que os europeus ali chegaram, as pessoas destes varios arquipelagos possuiam sua propria lingua, mitologia e arte, incluindo estilos que emboram possam a primeira vista ser semelhantes sao unicos a nivel de tatuagem.
Descriçoes isoladas e incidentais da tatuagem na Polinesia foram encontradas nos diarios de bordo de navios europeus, que datavam do seculo 17 e início do século 18. Mas somente na ocasiao da viagem do capitao James Cook (o pai da palavra tattoo que se utiliza hoje e que Cook escreveu no seu diario como "Tattow", a partir da onomatopeia Tattau (que significa desenho no corpo), esta palavra seria o som "tatau,tatau,tatau" produzido pelos martelinhos usados durante a tatuagem), em 1769, e que a arte de tatuar foi descrita com maiores detalhes. Alias, quem tomou parte desse trabalho foi o naturalista Joseph Banks, um dos mais eruditos e estudados viajantes europeus.
Esta arte seria tambem descrita e ilustrada por alguns naturalistas que, mais tarde, no final do seculo 18 e inicio do 19, acompanharam os exploradores. Mas, no geral, a maioria dos europeus apresentou um pequeno interesse pela arte ou pela cultura da Polinesia, em muitas ilhas do Pacifico, os primeiros colonos europeus eram missionarios que se opunham a tatuagem porque a arte estava relacionada com as praticas religiosas dos nativos que eram vistas por eles como superstiçao e bruxaria.
Logo apos os missionarios vieram tambem os colonizadores, que disputaram a possessao das ilhas, saqueando todas as reservas naturais e forçando os nativos a adotar as roupas e trabalhar como escravos. Por ser considerada um habito tradicional da Polinesia, a tatuagem tornou-se um símbolo de resistencia a influência europeia, sendo considerada ilegal por muitos dos regimes coloniais.
Ironicamente, ao mesmo tempo em que a tatuagem estava desaparecendo no Pacifico, ela estava sendo cada vez mais adotada pelos ocidentais.
Antes das viagens de Cook, a tatuagem era virtuosamente desconhecida na Europa. Integrantes da tripulação de Cook foram os primeiros europeus a serem tatuados e a moda da tatuagem se espalhou rapidamente na marinha, assim que os marinheiros retornavam para casa com exoticas marcas em seus braços, como lembranças de sua viagem as terras distantes. Os marinheiros aprenderam as tecnicas com os artistas polinesios e praticaram durante a viagem de navio, aposentando-se depois para montar estudios de tatuagem nas cidades portuarias de toda a Europa.
A tatuagem e a unica forma de arte da Polinesia que foi amplamente adotada e imitada pelos ocidentais e demorou ate ao final do seculo 19 para que antropologos viajassem ao Pacifico para estudar o rapido desaparecimento da cultura polinesia e fazer algum esforço para investigar o significado da tatuagem dentro do contexto da vida nativa.
Alguns poucos artigos sobre o assunto apareceram em jornais escolares na viragem do seculo e por volta da mesma epoca, varios antropologos escreveram livros que incluiam descriçoes da tatuagem polinesia. Mas o que sabemos sobre a antiga arte de tatuar da Polinesia e somente um pequeno fragmento de todo o resto, a grande maioria dos desenhos, juntamente com a prosperidade das tradiçoes associadas, mitos e observaçoes religiosas foram perdidas para sempre. E nos sabemos somente um pouco do significado da tatuagem pela percepçao dos proprios polinesios o resto e apenas sob o ponto de vista e a maneira registrada pelos europeus.



Filipinas

A tatuagem e parte da vida tribal filipina desde antes da colonizaçao hispanica das Ilhas Filipinas. Quando os espanhois chegaram a estas ilhas, conheceram os Visayas, que tinham tatuagens no corpo inteiro, eles então as chamaram de “La Isla de los Pintados”, ou a Ilha dos pintados.
Em 1961 o pirata e explorador William Dampier, numa viagem aos mares do sul, levou para Londres um nativo com o corpo totalmente tatuado, o principe Giolo, que apos a sua apresentacao ao rei e a rainha, foi escravizado por Dampier e exibido como atraccao exotica.
A tatuagem nas filipinas e uma forma de posicionamento e comprometimento social, e algumas tribos acreditavam que a tatuagem tinha poderes magicos.
Um membro da tribo recebia uma tatuagem conhecida como Chaklag, e significava que ele havia decapitado um membro de uma tribo inimiga. Existem muitas variaçoes nos estilos de tatuagem filipinas, e dependem da regiao e tribo respectiva.
Entre as mulheres da sociedade tribal filipina a tatuagem era vista como uma forma de beleza. As mulheres da montanha Luzon tinham fechamentos de braço e peitoral, enquanto as Visayas e Mindanao tatuavam as mãos e pulsos.



Indonesia

Borneu e um dos poucos lugares no mundo onde tradicionalmente a tatuagem tribal ainda e praticada hoje como tem sido ha milhares de anos. Ate recentemente muitas das tribos tinham pouco contacto com o mundo exterior. Como resultado, preservaram muitos aspectos do seu modo de vida tradicional, incluindo a tatuagem. Os desenhos de Borneu tem contribuido ao redor do mundo para formar a base do que o povo ocidental chama de "tribal".



Nova Zelandia (Maori)

Conta a lenda que a tatuagem teve início com um romance entre um homem chamado Mataora e uma jovem princesa de um mundo mistico, chamada Niwareka.Um dia, entretanto, Mataroa bate em Niwareka e ela volta para a proteção de seu pai, Uetonga. Mataroa, se sentindo muito culpado e com o coração partido, vai atrás de Niwareka, viajando para o mundo mistico de Rarohenga para trazer de volta sua amada Niwareka. Depois de muitas dificuldades para chegar ao seu destino,Os dois voltam a se reconciliar e Mataora aprende a arte da tatuagem com Uetonga, seu sogro, que aplica uma tattoo facial de nome Moko. Ao retornar com Niwareka a terra dos homens, Mataora ensina a arte do Moko ao povo maori.



O Moko, que e a tatuagem Maori tradicional, traz uma simbologia associada e posicao que o individuo ocupa na sociedade. Todos os homens que tivessem uma posicao elevada eram tatuados, enquanto que os que nao eram marcados, eram considerados sem status social. O Moko funcionava como uma identidade, ja que tambem falava sobre a familia e sobre a tribo a que os tatuados pertenciam; ao representar a posicao social, o Moko denunciava inclusive se se tratava de uma posicao pura, herdada pelo sangue, ou se a posicao havia sido ganha atraves de suas accoes.
A marcacao do corpo comecava na puberdade, acompanhada de outros rituais. A tatuagem servia para que os guerreiros ficassem atraentes para as mulheres e marcava os importantes eventos na vida de uma pessoa, havia certas proibicoes durante o processo de tatuar. Para a tatuagem facial, por exemplo, atividades sexuais e ingestao de solidos eram proibidas. Os tatuados so podiam ingerir liquidos atraves de canudos, ate a cicatrizacao total da pele, evitando que houvesse alguma contaminacao.
A tatuagem facial completa consumia muito tempo, e um bom tatuador deveria estudar com cuidado a estrutura ossea da pessoa, antes de começar sua arte. Por esses motivos, um rosto elegantemente tatuado era uma fonte de orgulho e para os guerreiros, era como uma proteccao para vencer as batalhas.





O instrumento para tatuar era um cinzel de osso, que era mergulhado em um pigmento e em seguida era batido com um pequeno bastao. Para obter as cicatrizes e os sulcos que caracterizam o Moko, o instrumento deveria penetrar profundamente no tecido muscular, alguns cortes eram tão profundos que chegavam a atravessar a bochecha. Era um processo muito longo e extremamente dolorido, mas era uma questão de honra e orgulho os guerreiros Maori não se mexerem e manterem-se calados enquanto eram tatuados.

As mulheres não eram tão tatuadas quanto os homens. Os lábios superiores eram contornados e a tatuagem no queixo era a mais popular, sendo que a prática continuou até os anos 70.
Ler as marcas é bastante difícil. O significado de um símbolo Moko pode ser diferente entre as tribos, por isso a compreensão das marcas é complicada. Os Maoris dizem que, para se ler um Moko, é preciso olhar holisticamente, é preciso olhar além do que está lá e perceber também o que está faltando. Infelizmente, hoje em dia restam muito poucos com essa capacidade.

Por se tratar de um tipo de tatuagem muito característico, e que carrega grandes características culturais desde os primórdios dessa arte, muitos Pakeha (brancos) se interessam em ter esse tipo de marca no corpo. Os Maori não aprovam a atitude já que, como visto, se trata de uma simbologia que conta uma história sobre o tatuado, sobre sua família, sobre sua tribo e sobre seu legado na Terra. Apesar dos Maori não concordarem com essa “apropriação” de sua cultura, a partir dos anos 90, a prática do Moko ganhou mais força entre homens e mulheres, não apenas em relação aos desenhos, mas à tatuagem feita com cinzel, à moda antiga.

Hoje as tatuagens são feitas em qualquer parte do corpo e se parecem com tribais, se diferenciando por terem significados em suas formas. Hoje esses símbolos representam coisas mais genéricas, deixando o Moko como “indentidade” de lado e trazendo a tatuagem Maori como uma forma de expressar sentimentos e desejos como felicidade, amor, família, renascimento.

Um dos símbolos mais comuns nas tatuagens Maori é o Koru.

"Koru"



Ele carrega um forte simbolismo, representa a criacao, uma nova vida ou um novo comeco, crescimento, harmonia e pureza. As formas circulares do Koru nos levam a ideia do movimento perpetuo, enquanto as espirais interiores sugerem o retorno ao ponto de origem, representando o modo como a vida se altera e, ao mesmo tempo, continua igual.
A Palavra Maori significa “Normal” era a palavra utilizada para distinguir os mortais de divindades e espiritos, o povo Maori talvez tenha sido o povo mais animista de toda a Oceania. Foi Sir James G. Fraser, que realizou um dos melhores estudos na zona da Oceania, ele definiu o povo Maori da seguinte maneira: “Aqui a magia dominou a religiao e venceu-a em toda a linha. Porque o ser humano, ao sentir-se impotente perante as forças da natureza e ao nao poder aceder ao seu controle, ou pelo menos, ao nao poder prever o seu desenvolvimento, trata de improvisar um ritual que lhe de a possibilidade de recuperar parte da confiança perdida.”

Assim as tatuagens começam a se entrelacar com a historia desse povo, na optica que dentro dessa cultura os Tohunga (Tatuadores) eram vistos como sacerdotes que tinham o poder de sarar o individuo assim como os doutores prescreviam a receita para a cura dos males, no caso a cura do espirito e da alma, as tatuagens para esse povo tinha o poder de curar e de precaver do que poderia vir, de proteger, a afastar, de atrair, reverenciar, saudar e de lembrar, era o seu amuleto da sorte nas muitas batalhas de um povo genuinamente guerreiro, talvez na tatuagem e que podemos conotar a forma mais expressiva de magia utilizadas pelos Maoris e relatada pelo estudioso Sir James G. Fraser.
O animismo tem duas notas peculiares: o particularismo e o ceremonialismo. Tenta-se trabalhar a alma, o espirito particular, individual e definido, de cada um dos elementos sobre os quais se deseja atuar e, ao considerar a sua personalidade espiritual, se quer descobrir a maneira de agradar ou atemorizar o espirito em questao dai a maneira que os elementos dos desenhos empregados na tatuagem Maori actuavam. Para isso, o pretendido conhecedor dessas almas desenvolve a cerimonia que melhor lhe parece que pode vir a resultar, de acordo com a sua intençao, aqui abordamos o Tohunga ou “Tatuador”.
Neste caso, resulta claro que nao ha necessidade de mediador, de sacerdote, porque as regras se vao criando segundo aparece a necessidade correspondente. O espirito da coisa, do animal, ou do fenomeno em questao, é uma alma concreta e o praticante tambem o e; portanto, a cerimonia animista e uma conversa, um contato pessoal entre o espirito e o demandante, que se ajuda com a magia que ele conhece, que aprendeu com seus ancestrais ou que intuiu que e a mais indicada para essa alma, a melhor para essa ocasiao concreta e a receita sao formas a serem utilizadas para a cura dos seus problemas.
“O termo Animismo foi criado pelo antropologo ingles Sir Edward B. Tylor, em 1871, na obra Primitive Culture (A Cultura Primitiva).
Pelo termo Animismo, Tylor designou a manifestacao religiosa imanente a todos os elementos do cosmos (Sol, Lua, estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, árvores, plantas) e a todos os fenomenos naturais (chuva, vento, dia, noite); é um princípio vital e pessoal, chamado de "anima", o qual apresenta significados variados:

• cosmocentrica significa energia

• antropocentrica significa espirito

• teocentrica significa alma

Consequentemente, todos esses elementos sao passiveis de possuirem: sentimentos, emocoes, vontades ou desejos, e ate mesmo inteligencia, ou seja, os cultos animistas alegam que: "Todas as coisas são Vivas", "Todas as coisas sao Conscientes", ou "Todas as coisas tem anima".

O Animismo possui tres simples regras:

• Tudo no cosmo tem "anima";

• Todo o "anima" e transferivel;

• Tudo ou todo que transfere "anima" nao perde a totalidade de seu "anima", mas quem ou o que recebe perde parte ou a totalidade de seu "anima", o qual sera tomado pelo "anima" doador.”



Com a popularizacao das tatuagens tribais nos anos 80, ouve um grande interesse pela tatuagem maori com seus intrincados grafismo tais como o koru, as espirais duplas ou tripas. Mas para nao desrespeitar a cultura ancestral foi utilizado um estilo de padroes chamado Kirituhi (pintura em carvao) de valor puramente estetico para a customizacao de tatuagem tribal.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

"Chicken Ala Carte" de Ferdinand Dimadura

Em Fevereiro de 2006, no 56 no Festival Internacional de Filmes de Berlin, realizadores de todo o mundo foram convidados a criarem um 'short movie' para um concurso sobre o tema: "food, taste and hunger".
'Chicken Ala Carte' o short movie de 6 minutos do Filipino Ferdinand Dimadura, foi julgado como o mais popular curto da competiçao.
Cada vez mais os 'shorts movies' ganham um espaço, de incrivel poder na informaçao e alerta do que se passa a nivel das condiçoes economicas e socio-culturais deploraveis que se vivem neste momento em muitas partes do globo, devido a ganancia insana de uma globalizaçao somente com intuitos economicos e destrutivos.

Chicken a la Carte, e basicamente um short de cerca 6 minutos, que nos faz refletir quanto aos valores de cada um associado ao meio em que vivemos,trata sobre a fome e a pobreza ocasionado pela Globalizaçao.
Cerca de 24.000 pessoas morrem diariamente devido a fome, ou a causas relacionadas com a ela.
Este pequeno filme-documentario mostra uma parte esquecida da sociedade, pessoas que sobrevivem das migalhas dos outros.

Visualizaçao do concurso
http://www.cultureunplugged.com/play/1081/Chicken-a-la-Carte

Visualizaçao Youtube

O Natal dos Banqueiros por Jose Niza



Este foi um mail que recebi e o qual achei bastante interessante, como tal repasso-o aqui da mesma forma como o recebi, esta bem que o titulo ja e um pouco natalicio para a epoca que sera mais carnavalesca, mas como o natal e quando um homem quiser...

Assunto: O Natal dos banqueiros

Por: José Niza - In ''O Ribatejo''

1. Depois do que aqui escrevi na semana passada sobre “o dinheiro”, não esperava tão depressa voltar ao assunto: preferia que, em tempo de Natal, a caneta me conduzisse para outras paragens, e me levasse por caminhos que fossem de procura, ou de descoberta, de uma réstia de esperança, de uma festa numa praça de amor, de paz e de canções.
Mas não. O homem põe. E a banca dispõe.
2. Um relatório há poucos dias divulgado pela CMVM – a Bolsa – deu-me um murro no estômago. Não é que eu tenha andado distraído da ganância e dos festins da nossa alta finança. Mas tudo tem que ter limites: os números revelados nesse relatório sobre os salários dos administradores dos bancos e das empresas mais importantes do País, para além de aterradores, são um insulto ao povo português e, em especial, aos mais de 500 mil trabalhadores que estão no desemprego.
3. O salário mínimo em Portugal é de 450 euros por mês. 90 contos por mês. 3 contos por dia. Muito pouco para pagar a renda da casa, a comida, as roupas, os sapatos, a água, a luz, os transportes, talvez o telemóvel…
Há um ano, o governo, as confederações patronais e os sindicatos, assinaram um acordo para, em 2010, aumentar o salário mínimo de 450 para 475 euros. Menos de 1 euro por dia! Mas agora, as tais confederações patronais – que assistem mudas e quedas ao escândalo dos vencimentos dos gestores – vêm ameaçar que se o salário mínimo subir para 475 euros será um desastre nacional. E, em contrapartida, propõem 460 euros! Isto é, uma subida de 33 cêntimos por dia!
4. O relatório da CMVM revela que o salário anual médio dos administradores da banca e empresas cotadas na bolsa foi, em 2008, de 777 mil euros, isto é, de 64.750 euros por mês (cerca de 13 mil contos mensais ou 426 contos/dia).
64.750 euros por mês equivalem a 136 salários mínimos. Isto é, para atingir o valor do ordenado mensal de um desses gestores, um trabalhador que receba o ordenado mínimo terá de trabalhar mais de 11 anos!!!
5. Mas ainda não é tudo. Há mais, bastante mais.
2008 – como todos nós sabemos – foi um ano de crise, de falências, de desemprego galopante, de apertar o cinto. Mas, enquanto a esmagadora maioria dos Portugueses fazia contas à vida, cortava nos gastos, fazia sacrifícios ou – nos casos mais dramáticos – passava fome, os senhores do dinheiro tiveram, em média, aumentos de 13 %.
13% sobre 777 mil euros são cerca de 100 mil euros, qualquer coisa como 20 mil contos por ano e para cada um. Só de aumentos!
2009 – um ano que agora se vai embora sem deixar saudades – foi também um ano de enorme crise na indústria automóvel. Mas nem tudo foram desgraças: no Vale do Ave, território dos têxteis e do mais alto desemprego do País, nunca se venderam tantos Porches. Quanto mais desempregados na rua, mais Porches na estrada!
Como se tudo isto ainda não bastasse, os próprios ex-administradores da banca – como é o caso do BCP – têm regalias e mordomias que ultrapassam todos os limites do imaginável: jactos privados para viajarem, seguranças, automóveis de luxo, motoristas, etc. Foi-me contado um caso em que a excelsa esposa de um banqueiro se deslocava regularmente a Nova Iorque – em Falcon privado pago pelo BCP – para ir ao dentista e fazer compras! E que o seu excelso marido (ex-presidente do BCP e membro da Opus Dei) dispunha de um batalhão de seguranças 24 horas por dia, também pagos pelo banco.
Será que uma pessoa com a consciência tranquila precisa da protecção de 40 seguranças? Nem Sadam Hussein tinha tantos…



6. Mas, afinal de contas, quem paga tudo isto?
Para além dos pequenos accionistas, é óbvio que são os clientes dos bancos, essa espécie sub-humana que a banca submete à escravatura e trata a chicote, essa legião de explorados que ainda olha para os bancos – e sobretudo para os banqueiros – com o temor reverencial de quem vê um santo como Jardim Gonçalves em cima de uma azinheira.
Quando um banco remunera um depósito a prazo com 1% de juros e cobra 33% nos cartões de crédito, é-lhe fácil conseguir dinheiro para cobrir todos os excessos e bacanais financeiros do sistema bancário. Quando um banco paga metade dos impostos de qualquer empresa em situação difícil, o dinheiro jorra, enche os cofres dos bancos e os bolsos dos banqueiros.
É nisto que estamos. Até quando?
Será que a um sistema que assim existe e que assim funciona – encostado ao Poder e protegido pela Lei – se pode chamar Democracia?
PS – E que ninguém, de má consciência, tenha a desvergonha de me vir dizer que isto é demagogia!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Como roubar criancinhas



Sempre tentei pautar a minha existençia por certos valores que considero essenciais ao ser humano para viver em comunhao com os outros seres humanos, tais como a liberdade individual e o respeito pelas escolhas individuais sejam elas de cariz religioso, sexual, politico, ou qualquer outro, sem julgamentos de caracteres morais, mas existem coisas que eu como ser humano nao posso deixar de referir ou de ter uma ideia critica acerca desses assuntos, este e um deles.

'Entrego junto com esta pequena quantia toda a minha vida e tambem a minha familia.'
Nao seria so preocupante a extrema ganancia e o facto de certas ditas "igrejas" estarem a explorar desavergonhadamente o facto das pessoas andarem cada dia mais fragilizadas e necessitadas de apoio, carinho, atençao, como chegam ao absurdo de usarem metodos subliminares para atrair e escravizar ainda mais essas pessoas a cultos que nao sao mais do que fabricas de fazerem dinheiros e que tem por detras muitas das vezes organizaçoes que nao serao das mais limpidas e translucidas.
Como se nao bastasse isso, chegou-se ao cumulo de extorquir literalmente dinheiro a crianças levadas para esses cultos por pais que tambem eles estao a ser usados muitas vezes inocentemente.

'Entrego junto com esta pequena quantia toda a minha vida e tambem a minha familia.'
Esta frase deixa-me siderado pelo facto que estao a exigir a ciranças, nao so a entrega de dinheiro, como a entrega de toda a sua vida e existencia incluindo a da sua familia.
Isto e de facto muito poderoso e preocupante.
Poderia-se falar um pouco mais sobre o cartao, o desenho e a mensagem que pode estar subentendida, mas penso que seria entrar por caminhos que nem todos nos estamos habilitados a compreender, por isso deixo a cada um o seu entendimento sobre este post.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Somos todos um


Acho que neste ano que entra e bom referenciar mais uma vez a harmonia que deveria existir entre todos os povos, entre todas as familias, entre todas as pessoas, porque embora sejamos unicos Universalmente, estamos todos interligados, somos todos um.
E bom nunca nos esquecermos disso, so assim poderemos alguma vez construir um futuro melhor, para nos, para os nossos filhos e para os filhos dos nossos filhos, nao so em 2010 que se inicia hoje, como em todos os anos das nossas vidas.

Entrevista com Robert Happé

Somos todos Um (parte 1)



Somos todos Um (parte 2)



Somos todos Um (parte 3)



Somos todos Um (parte 4)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mares em subida até dois metros


Jornal de Noticias online de 25 Novembro de 2009

Cenários para 2100 dão temperaturas de mais sete graus
00h30m
EDUARDA FERREIRA, * COM AGÊNCIAS
As perspectivas de aquecimento do planeta e subida do nível dos oceanos são mais catastróficas do que têm indicado os relatórios do grupo de peritos de todo o Mundo que têm colaborado com a ONU, avisam agora climatologistas alemães.

A menos de duas semanas do começo dos trabalhos da Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, multiplica-se a divulgação de estudos apontando para a necessidade de os decisores políticos adoptarem em Copenhaga compromissos para o decréscimo de emissões causadoras do efeito de estufa. Ontem, cientistas do Instituto de Potsdam, Alemanha deram conta de uma visão pessimista quanto ao futuro do planeta, caso os maiores poluidores adoptem medidas tímidas.

Os climatologistas de Potsdam garantem que o aquecimento global está a ser e será mais intenso do que o previsto nas previsões feitas no quarto relatório do grupo intergovernamental (GIEC), em 2007. Afirmam eles quer o aquecimento poderá atingir, no final do século, os sete graus, por comparação com a época pré-industrial. "Cada ano que passa aumentam as hipóteses de o aquecimento ultrapassar os 2ºC", avisam os investigadores. Se as emissões dos gases de efeitos de estufa não diminuírem drasticamente, o degelo das calotes polares levará ao aumento do nível dos oceanos de um a dois metros até ao final do século, estimam eles. As emissões de CO2 aumentaram 40% entre 1990 e 2008 e esse facto tornará mais difícil deter nos 2º C o aumento da temperatura, avisam também.

Em sintonia com esta visão, a Rede Internacional de Acção Climática, composta por mais de 500 organizações e de que faz parte a Quercus, advoga uma redução das emissões superior a 40% até 2020 tendo como referência os valores de 1990. Isto por parte dos países industrializados que deverão encontrar em Copenhaga um compromisso para que o pico das emissões se situe entre 2013 e 2017 e as concentrações de dióxido de carbono não excedam as 350 partículas por milhão. Além disto, a Rede de Acção Climática defende que os países em desenvolvimento recebam ajudas para limitar as emissões e para reduzir a zero as emissões com origem na desflorestação e degradação florestal. O financiamento dos países desenvolvidos aos que têm economias mais débeis deve cifrar-se em 195 mil milhões de dólares até 2020, contabilizou já a mesma organização ambientalista internacional.

As posições defendidas para Copenhaga pela Quercus referem a necessidade de uma redução das emissões em 80% até 2050 depois de 2020. De outra forma, defende esta organização, será impossível conter o aquecimento global abaixo dos 2º C.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

COMO EXPORTAR FELICIDADE






O FIB (FELICIDADE INTERNA BRUTA) É MAIS IMPORTANTE QUE O PIB

COMO EXPORTAR FELICIDADE

Texto e fotos: Haroldo Castro

Um pequeno reino no Himalaia ensina
ao mundo como ser feliz

"A Felicidade Interna Bruta é mais importante do que o PIB. Em nosso processo de desenvolvimento, a felicidade precede a prosperidade econômica." Jigme Singye, rei do Butão, em entrevista ao Financial Times
Uma nação encravada na Cordilheira do Himalaia está revolucionando alguns conceitos básicos da vida humana. Ao criar um novo índice para medir a qualidade de vida de seus habitantes, o Butão oferece uma receita inovadora para nosso mun­do de hoje, demasiadamente ancora­do em aspectos materiais.

Tudo começou com Jigme Singye Wangchuck, que substituiu seu pai como o rei do Butão, em 1972. Ele ti­nha apenas 17 anos de idade. Sua co­roação, dois anos mais tarde, marcou o fim do isolamento do pequeno pais (menor que o Estado do Rio de Janei­ro), escondido nas montanhas. De fato, até então, nenhum es­trangeiro tinha autori­zação para entrar no reino, a não ser quan­do convidado pela fa­mília real. A partir de 1974, o paraíso proi­bido começou a abrir as portas ao mundo.

Nos 34 anos de rei­nado, o desafio do rei Jigme Singye Wang­chuck foi o de equili­brar o desenvolvimen­to econômico com os valores culturais e espirituais da nação. Em 1987, respondendo a um repórter do jornal britânico Financial Times sobre a razão de o desenvolvimento no Butão caminhar a passos tão lentos, o rei teria respondido que "a Felicidade
Interna Bruta é mais importante do que o Produto Interno Bruto". E teria arrematado: "Em nosso processo de desenvolvimento, a felicidade precede a prosperidade econômica."

0 conceito de o bem-estar do indivíduo não estar obrigatoriamente relacionado com bens materiais passou a percorrer o mundo e chamou a atenção de estudiosos. Afinal, o índice Produto Interno Bruto (PIB), usado por todas as nações do planeta, sempre foi considerado limitado. 0 PIB é apenas uma fórmula que determina a quantidade total da produção e do consumo de serviços e bens por meio de transações econômicas. Pouco importa se a riqueza foi originada de guerras, prostituição e devastação da natureza ou é o resultado de um trabalho honesto e uma atividade sustentável.

Se algum bem é conservado e não é consumido, essa operação não é registrada no PIB, pois esta não gera um valor específico. Por exemplo, uma floresta mantida in­tacta não entra no cálculo do índice, enquanto o conserto de um veículo aci­dentado (que pode até ter provocado vítimas fatais) é contabilizado. O PIB não consegue medir o trabalho volun­tário e chega a ampliar a discrimina­ção contra as atividades não-remune­radas, cujas motivações estejam acima do ganho financeiro.

"As medidas do PIB não medem a degradação do meio ambiente, o esgotamento dos recursos naturais nem o agudo declínio na qualidade de vida dos cidadãos. Acho que, em todos os espectros políticos, existe o reconhe­cimento dessas deficiências e a con­vicção que é importante desenvolver medidas mais adequadas", afirma jo­seph Stiglitz, economista reconhecido com o Prêmio Nobel 2001 de Econo­mia. Stiglitz foi convidado pelo presi­dente francês, Nicolas Sarkozy, para desenvolver um novo sistema de cál­culo econômico que possa incluir fa­tores de qualidade de vida.

As palavras de um rei (adorado por seus súditos) sobre a importância da felicidade foram levadas a sério pelos butaneses. Era preciso colocar em prá­tica o desejo real e o índice Felicida­de Interna Bruta (FIB) devia ser sis­tematizado. Em 1998, o conselho de ministros estabeleceu o Centro de Es­tudos do Butão, o qual passou a orga­nizar as informações sobre a FIB. O conceito também foi incluído nos Pla­nos Qüinqüenais e foi definido que a FIB deveria se apoiar em quatro pila­res: desenvolvimento socioeconômico sustentável e eqüitativo, conservação ambiental, promoção do patrimônio cultural e boa governança.

Enquanto isso, ao redor do mundo, um número crescente de economis­tas, cientistas sociais e empresários buscava outras medidas e indicadores que levassem em consideração não apenas o fluxo de dinheiro (como no caso do PIB), mas também a saúde, a cultura, o tempo livre dos indivíduos, a conservação da natureza e outros fatores não-econômicos.

Vários índices começaram a apare­cer na década de 90. O primeiro pas­so foi dado com o estabelecimento do índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Utilizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimen­to (PNUD), o IDH, além de incluir a renda per capita de um país, dá desta­que à expectativa de vida dos habitan­tes, ao grau de alfabetização e às rea­lizações educacionais.

Já o Indicador de Progresso Genuí­no (IPG) introduz em seus cálculos os fatores negativos criados pela socie­dade, os quais não são contabilizados pelo PIB. Por exemplo, a implantação de uma fábrica representa — indiscuti­velmente — um aumento no PIB de uma região. Mas se os benefícios tra­zidos pela nova empresa também vie­rem acompanhados por uma degrada­ção da saúde, da cultura e do bem-estar da comunidade, o resultado fi­nal pode ser zerado, anulando os be­nefícios econômicos trazidos. Segun­do os seguidores do IPG, existem vá­rios custos não-econômicos que de­vem ser incluídos, como o de uso dos recursos naturais, de perda dos ecos-sistemas, de poluição (sonora, do ar e da água), de criminalidade e, até mes­mo, de dissolução de famílias.

Outra tentativa de medir o bem-es­tar da sociedade, ainda menos ortodoxa, é o índice do Planeta Feliz (IPF), criado pela Fundação New Economics, um think-tank (usina de idéias) britâ­nico. Um dos componentes mais im­portantes do IPF é a eficiência ecoló­gica de uma nação e de seus indiví­duos. A idéia não é identificar o país "mais feliz" do planeta, mas sublinhar que é possível atingir altos índices de bem-estar e viver plenamente sem con­sumir excessivamente ou desgastar os recursos naturais.

Medir valores subjetivos, como a fe­licidade, é uma tarefa complicada, pois cada pessoa a compreende de forma distinta. Para alguns cientistas, a men­te funciona apenas como um aparelho que responde a estímulos externos. A felicidade, nesse caso, é percebida como uma conseqüência direta dos prazeres sensoriais registrados pela mente. Como estes são passageiros, a ênfase na busca de estímulos mate­riais é cada vez maior.
Já a filosofia budista aponta para ou­tra fonte de felicidade, aquela que tem origem em estímulos internos. E o es­tado em que o indivíduo vivencia o "ser", ao contrário de reagir apenas aos estímulos externos. A ciência compor­tamental comprovou que, de fato, a mente pode ser treinada por meio de práticas específicas (como a meditação) para promover estados duradouros de serenidade e contentamento. Quando a felicidade é compreendida dessa ma­neira, a busca desenfreada pelas sen­sações externas e o conseqüente con­sumo insustentável dos recursos natu­rais podem ser reduzidos consideravel­mente, promovendo uma economia mais saudável.



Segundo Karma Ura, presidente do Centro de Estudos do Butão, uma auto­ridade na pesquisa da FIB em seu país, a felicidade deve ser "um bem público, já que todos os seres humanos alme­jam alcançá-la". Ele acrescenta que "a busca da felicidade não pode ser deixada exclusivamente a cargo de esforços privados. Se o planejamento do governo e as condições macroeconômicas da nação forem adversos à felicidade, esse planejamento fracassará como meta co­letiva. Os governos precisam criar con­dições que conduzam à felicidade".

O primeiro-ministro do Butão, Jigmi Thinley, em discurso na Assembléia Ge­ral da ONU em setembro, explicou por que seu país instituiu a FIB. “É respon­sabilidade do Estado criar um ambiente que permita aos cidadãos buscar a feli­cidade." Ele considera que o ser huma­no deve ser visto de uma forma holísti­ca. "O bem-estar material é apenas um componente e este não assegura que os cidadãos estejam em paz com o am­biente e em harmonia entre eles."

Contando com o apoio incondicio­nal do monarca, a FIB passou a ser um elemento estratégico da política de planejamento do Butão e criou-se uma coleção de novos indicadores socioam­bientais. Um questionário com 1.300 perguntas foi elaborado e uma amos­tra da população respondeu ao teste. A pesquisa incluía as mais variadas perguntas, como quantas horas o in­divíduo dormia à noite ou quanto tem­po passava com amigos e parentes.

A convite do PNUD, Michael Pen­nock, diretor do Observatório para Saúde Pública em Vancouver, Canadá, passou três meses no Butão em 2006 para desenvolver um questionário mais "internacional" sobre a busca da felicidade. "O questionário butanês era muito longo, eram necessárias seis horas para ser respondido. Fui ao Bu­tão para criar uma versão menor, mais concisa, que pudesse ser respondida em 20 ou 30 minutos. Usamos apenas 100 variáveis para indicar os níveis de satisfação de um indivíduo no seu co­tidiano", diz Penncock.

Os pilares da FIB no Butão foram "ocidentalizados" e passaram a ter nove dimensões. Além das quatro ini­ciais — bom padrão de vida, boa governança, proteção ambiental e pro­moção da cultura — foram adicionados outros cinco itens: educação de quali­dade, boa saúde, vitalidade comunitá­ria, gestão equilibrada do tempo e bem-estar psicológico.

-Foi preciso dar pesos diferentes para cada área, em cada país. Para
países mais pobres, enfatizamos as ne­cessidades materiais. No Butão, um peso maior foi conferido ao aspecto cultural — o que não acontece no Canadá, uma nação multicultural por na­tureza", explica Penncock.
O conceito da FIB já chegou ao Bra­sil. No final de outubro, o butanês Kar­ma Ura se reuniu em São Paulo com empresários interessados em susten­tabilidade, deu palestras na Unicamp e na USP e participou da I Conferên­cia Brasileira sobre a FIB. Apesar de ter estranhado o clima quente e úmi­do, Ura adorou o calor humano brasi­leiro. "Tenho certeza de que o concei­to da Felicidade Interna Bruta vai ser bem aceito no Brasil. Vocês sabem o que é ser feliz."

Haroldo Castro viaja como jornalista, fotógrafo e conservacionista.
Ele é o fundador do Clube de Viajologia e já documentou 138 países.


haroldo@viajologia.com.br

www.viajologia.com.br


Revista Planeta JANEIRO 2009

retirado de:
holosgaia.blogspot

sábado, 24 de outubro de 2009

Americanizacao - Estados Unidos da Europa - Tratado Lisboa


Causa-me tristeza ver como tudo se esta a alterar a nossa volta sem que ninguem ou se aperceba ou se esteja a interessar.
Neste momento estou a assistir a Americanizacao numa escala e velocidades incriveis tanto a nivel Europeu como a nivel mundial e torna-se preocupante como essa cultura que nao tem absolutamente nada a ver com a nossa nos esta a ser impigida.
A cultura Americana e uma cultura estupidificante e extremista baseada em factores materialistas, de ostentacao e violencia, sem qualquer pingo de cultura artistica ou espiritual como a velha cultura Europeia.
Causa-me tristeza a forma como vejo ser-me impigida, aos meus familiares e amigos,constantemente uma bandeira (que e um simbolo e como tal extremamente poderoso) e uma filosofia de vida (nada melhor que a televisao e os meios de comunicacao para estas coisas) que e totalmente oposta a filosofia de vida com que fui habituado e ensinado a viver.
Causa-me tristeza a forma como estamos a ser conduzidos como ovelhas para uma politica Estados Unidenses com a criacao de uma Uniao Europeia que so nao recebe o nome de Estados Unidos da Europa para nao se tornar extremamente obvio.
O Tratado de Lisboa (http://europa.eu/lisbon_treaty/index_pt.htm)vem alterar os tratados da Uniao Europeia e da Comunidade Europeia actualmente em vigor, que segundo eles '...vem criar Uma Europa mais democratica e transparente, com um papel reforcado para o Parlamento Europeu e os parlamentos nacionais e mais oportunidades para que os cidadaos facam ouvir a sua voz...' acho engracado esta parte na medida em que este tratado foi ratificado a presa pelos parlamentos nacionais, sem a consulta por meio democratico como deveria ter sido feito atraves de referendo ou a qualquer julgamento ou opiniao por parte do eleitorado, excepto na irlanda onde o primeiro referendo deu um NAO claro (http://tv1.rtp.pt/noticias/?article=148250&visual=3&layout=10), mas a presa para que este tratado entre em vigor e de tal ordem (existe a rapida necessidade de um alto representante europeu, para que e porque essa presa cabe-nos descobrir), que foi agendado um novo referendo (e um terceiro se voltasse a haver um nao,)mas com sondagens favoraveis ao tratado e outras lavagens a 2 de Outubro os Irlandeses milagrosamente disseram 'sim' (http://blogs.ft.com/brusselsblog/2009/10/irish-vote-gives-uks-cameron-a-chance-to-bury-lisbon/).

Vale a pena ler neste blogue sobre os processos (pouco) democráticos e o Tratado de Lisboa (ou Constituição Europeia)
(http://falascreve.blogspot.com/2009/09/os-processos-pouco-democraticos-e-o.html)

Tratado de Lisboa na Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Lisboa_(2007))

Mas afinal o que sabemos nos sobre o Tratado de Lisboa e as implicacoes que ele possa ter a nivel futuro? Absolutamente NADA, basta fazer um inquerito de rua e as respostas devem ser bastante conclusivas para nos apercebermos que andamos distraidos com outras coisas de menor importancia e que estas questoes de importancia vital nos estao a passar ao lado.
No fim o que acontece e que o poder que deveria estar na mao de muitos e leia-se populacao ou eleitorado esta a ser centralizado na mao muito poucos e com isto vamos perdendo mais e mais as liberdades basicas entre elas o direito a escolha e isto e deveras preocupante.



Vamos comecar a ter votacoes a americana (http://invirtus.net/in/story.php?title=elei%E7%F5es-eua-2008---como-funciona-o-sistema-eleitoral-norte-americano),em que o tribunal escolhe os Presidentes indepentemente quem ganhe nas urnas '...De facto, tiveram que ser os tribunais americanos, um mês depois das eleições, a darem a vitória ao candidato com menos votos populares nas eleições de 7 de Novembro de 2000, mas aquele que tinha mais grandes eleitores...' (http://www.infopedia.pt/$eleicoes-presidenciais-nos-eua-(2000)), e depois na sua reeleicao (http://resistir.info/energia/politics_of_the_pump_p.html), e isto depois para um presidente europeu que tera entre outras coisas a gestao da defesa e dos meios nucleares a sua responsabilidade, e as leis estao cada vez mais a serem feitas para prescindirem de eleicoes populares e passarem assim por cima da opiniao publica o que para mim tem um nome, cada um da-lhe o que quer para mim e um inicio camuflado de Estado Novo com um nome a escala mundial de Nova Ordem Mundial e ela esta ai, insinuosa, inteligente e assustadora.
Agora vejamos quando o premio nobel da paz (isto e de uma hipocrisia e inteligencia imensuraveis) Baraka Obama ja veio ameacar o Irao atraves do seu escritorio na voz de Hillary Clinton (http://jn.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=1387327#)com medidas drasticas por parte da comunidade internacional (EUA e UE), caso o plano de desarmamento nao avance rapidamente (tao rapidamente como a criacao da UE), eu pergunto a mim mesmo, quando estas duas grandes Unioes que se tornarao so uma desarmarem o mundo, quem os desarmara a eles? E que um estado sem oposicao e um estado totalitario.
Nao deveria o plano de desarmamento mundial ser feito a escala mundial incluindo EUA, UE, Japao, China e Russia por ex.? ou isto e so para os paises que possam fazer frente as grandes super potencias mundiais?
A Americanizacao Europeia e so uma forma de estupidificacao de massas, para que aceitemos o jugo sem questionar, da mesma forma que os americanos o aceitam sem questionarem o porque de terem presidentes que nao elegeram, o porque de terem uma cultura abaixo da media europeia, o porque de mandarem orgulhosamente os filhos para a guerra morrer e matar inocentes, ou nao, a troco de petroleo.
Estamos todos no mesmo barco em que nos encontramos a perder a identidade e a liberdade.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Teresa Forcades - Pregar contra a vacina do H1N1


Esta noticia que vem no Jornal de Noticias de 10-10-2009, merece ser divulgada, como tal vou passa-la aqui na integra.

Pregar contra a vacina do H1N1

A história de... Teresa Forcades, freira beneditina catalã, doutorada em medicina
2009-10-10
FERNANDO BASTO

A religiosa investigou sobre a gripe A e ficou alarmada com a informação recolhida. Gravou um vídeo de 60 minutos, que corre o mundo no YouTube. "Digam não à vacina" é o seu grito de alerta.
Graças à gripe A e ao YouTube, a freira beneditina espanhola Teresa Forcades tornou-se rapidamente conhecida por todo o Mundo. Num vídeo com a duração de aproximadamente 60 minutos, a religiosa "prega" ao mundo contra a vacina da gripe A, alerta para os riscos que ela comporta e defende que ninguém deva ser obrigado a vacinar-se.
Que conhecimentos tem uma freira beneditina para iniciar uma espécie de cruzada contra a vacina do vírus H1N1? No vídeo, a freira catalã - autora dos livros "Os crimes das grandes companhias farmacêuticas" e "A teologia feminista" - começa por dar conta da sua formação académica, não vá haver dúvidas. É doutorada em Medicina pela Universidade de Barcelona. Estudou Teologia na Universidade norte-americana de Harvard e tomou ordens no mosteiro de Sant Benet, próximo de Montserrat, próximo de Barcelona.
Teresa Forcades foi convidada a fazer um estudo exaustivo sobre o vírus da gripe A. Concluída a investigação, a freira ficou preocupada com todo o alarido gerado em torno de uma propalada pandemia. E ainda mais intranquila ficou ao saber que a Organização Mundial de Saúde (OMS) poderia vir a considerar a vacinação obrigatória. Numa espécie de "cruzada" contra "interesses económicos" da indústria farmacêutica, a religiosa correu a posar para uma "webcam" e preparar um vídeo de alerta para o mundo. Hoje, já milhões de pessoas ouviram, com atenção, as suas explicações.
Começa por salientar que a gripe A é uma enfermidade com índices de mortalidade inferiores aos da gripe sazonal. "Se a mortalidade é menor, como se pode declarar uma pandemia?", indaga. Teresa Forcades considera "inexplicável" o grau de "irresponsabilidade" demonstrado pela OMS, pelos governos e pelas agências de controlo e prevenção de doenças ao declarar uma pandemia e promover um nível de alerta sanitário máximo "sem uma base real".
A freira enumera três novidades na vacina contra o H1N1 em relação à vacina contra a gripe sazonal. Começa por dizer que os laboratórios farmacêuticos criaram uma vacina de forma a que apenas uma injecção não seja suficiente para a inoculação, sendo, antes, necessárias duas doses. Além disso - realça -, a OMS recomenda que também não se deixe de tomar a vacina da gripe sazonal, o que leva uma pessoa a expor-se a ser injectada três vezes. Segunda novidade para a religiosa é o facto de alguns laboratório terem juntado à vacina coadjuvantes mais potentes do que aqueles utilizados até agora na vacina anual. Terceira e última novidade: a indústria farmacêutica está a exigir aos estados que assinem acordos que lhes proporcionem impunidade caso as vacinas tenham mais efeitos secundários do que os previstos. Os EUA já assinaram um acordo que libera tanto os políticos como as farmacêuticas de toda a responsabilidade pelos efeitos secundários da vacina.
Em jeito de conclusão, Teresa Forcades deixa claro ser necessário manter a calma, tomar as precauções sensatas para evitar o contágio e, sobretudo, "não deixar-se vacinar".
E termina com um apelo: "Peço que se active com carácter urgente os mecanismos legais (...) para assegurar de forma clara que não se poderá forçar ninguém no nosso país a vacinar-se contra a sua vontade e os que decidam livremente vacinar-se não sejam privados do direito de exigir responsabilidades nem do direito a serem recompensados economicamente (eles e os seus familiares) no caso da vacina lhes causar uma doença grave ou a morte".

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Desperdicios - Vida

Desperdicei a minha vida.

Finalmente apercebi-me realmente disso, desperdicei metade da minha vida em busca de algo que afinal sempre esteve comigo e que so agora cheguei a conclusao e a maturidade para entender isso.
Resta-me mais quarenta e tal anos de vida, ou seja atingi a metade e so tenho a outra metade para realizar aquilo para o qual nasci, se era o meu destino aperceber-me so agora desse facto nao sei, so sei que me resta tentar ao maximo recuperar esse tempo da melhor forma.

Claro que falo por mim como e logico, mas penso que cada um deveria fazer uma lavagem interior, uma introspeccao sincera e analisar tudo que viveu ate a data e descobrir se esta realmente a seguir e a fazer aquilo para o qual sente que nasceu, o se anda somente a desperdicar existencia atras de ilusoes, esta analise deve ser feita de uma forma sincera, sem mentiras, indulgencias, autocomiseracoes ou piedades de qualquer especie, uma analise fria e conclusiva do que se deperdicou e se o que resta e suficiente para compensar as perdas.

Queimamos tempo com coisas e ideias inuteis, pensando que somos eternos, ate que um belo dia caimos em nos e vemos que nao e bem assim, temos os minutos contados ao cimo deste planeta e como tal temos de os viver tirando o maximo partido e prazer de cada um deles.

Por exemplo cheguei finalmente a conclusao de que o que gostaria realmente de fazer era pintar, ou seja a minha real paixao e a pintura.
Agora fazendo contas por alto (a velocidade e da forma como pinto), se fizer contas a um ou dois quadros que acabe por ano da-me na melhor das hipoteses cerca de 80 quadros para fazer, assustador nao? Agora caso consiga e isto a pintar umas horas todos os dias acabar dois quadros por mes, vai-me dar a modestia quantia de 960 quadros acabados ate ao final da minha passagem por este mundo, nao me vai dar para arranjar grande fortuna.

O tempo que desperdicei nao me da ou dificilmente me vai dar para atingir o milhar de quadros terminados, o que quer dizer que desperdicei anos a procura da minha real paixao, para me aperceber que ela sempre esteve comigo, sempre fez parte de mim e que afinal nao tive foi a capacidade, a maturidade e a coragem de alterar a minha vida de forma a poder usufruir dessa minha paixao atempadamente, como tal tenho de inventar desculpas a mim mesmo (e que simples isso e, que simples e cairmos na autocomiseracao), agora nao posso e desperdicar o tempo que me resta com choros e lamentacoes pelo que poderia ter feito, ou seja nao me resta tempo para desperdicar mais tempo, so tenho de seguir em frente e lutar por essa paixao com o maximo de prazer.
Houve na minha vida muito boa gente que viu o caminho que as coisas levavam e que tentaram me dizer, muito boa gente que apostou me mim e nas minhas capacidades, mas perante as quais nao tive a minima humildade em reconhecer que talvez poderiam ter razao, e um problema quando pensamos que sabemos tudo e descobrimos que afinal nas sabemos absolutamente nada e so temos essa mania egocentrista de que somos os donos da verdade absoluta porque no fundo trememos de medo e esse e o nosso escudo contra esse medo, contra o medo que temos do desconhecido, o pior e que o desconhecido na maior parte das vezes somos nos mesmos.
Estou a falar de pintar no meu caso, mas quem diz pintar diz estar com a pessoa de quem se gosta, estar com os amigos, com os filhos, enfim tirar partido e intensificar ao maximo tudo aquilo do qual possamos tirar, e que nos de prazer fazer na vida, que nos de bem estar, harmonia e fundamentalmente paz, so assim poderemos atingir na velhice um estado em que quando olharmos para tras so nos poderemos sentir bem connosco mesmo, sem magoas, rancores, desilusoes, odios, so assim poderemos entao abracar a morte como ela merece ser abracada, com a docura de se ter tido uma vida proveitosa, cheia e plena.
Descobri finalmente algo para mim mesmo, no fim fico feliz porque o tempo que perdi nao foi em vao, perdi para umas coisas mas ganhei em conhecimento, conhecimento que me vai fazer abracar a vida de forma diferente, veio tarde mas nao tao tarde como para aqueles que morrem sem o menor conhecimento do que estiveram a fazer neste mundo, ou para o qual nasceram.
Veio tarde mas talvez nao tao tarde do que para aqueles que morrem num completo desperdicio de existencia.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Escravidao e Liberdade

Tornei-me escravo a partir do dia em que nasci.

Tudo porque na sua boa fe, os meus pais me ensinaram o que os pais dos pais deles lhes tinham ensinado, ensinaram-me a ver o mundo de uma forma material e concreta, entrei a partir desse preciso momento num circulo vicioso de informacao que constitui-o e realizou o mundo que me rodeou durante muitos e muitos anos e do qual so agora comeco a emergir, no momento em que nasci posso afirmar que me tornei escravo de estereotipos, dogmas e formas de ver e viver a vida que nunca foram realmente meus, mas que me foram incutidos por seculos de antiga escravidao e servidao a dogmas religiosos, sociais e politicos, de antepassados e fantasmas de antepassados com formas de pensamento retrogrado e hermetico.

Num ponto da minha existencia, tornei-me escravo do amor, da necessidade, do desejo, sonhei comprar casa e constituir familia, a casa nunca foi minha e a familia perdeu-se, restou o que restou, a escravidao das dividas e da responsabilidade, a escravidao dos bens materiais e amores fugases, a escravidao dos pequenos vicios, a escravidao de mim mesmo.

A beber um calice de vinho, sentado no sofa, ouco as Nocturnas de Chopin, iluminado pelas tremeluzentes chamas das duas grandes velas da sala, enquanto as estrelas entram pelas enormes janelas e pela claraboia, na solidao romantica e languida de uma noite a solo.
E acordado sonho com Ilhas magicas e Princesas encantadas, sonho com as viagens que hei-de fazer, com os locais que hei-de ver, com as aventuras que hei-de viver, so que as Ilhas magicas e as Princesas encantadas, nao passam disso mesmo, de sonhos Quixotescos com que tento disfarcar a enorme confusao em que me encontro neste momento de renovacao, evolucao espiritual e cognitiva, num momento em que luto com o choque entre o que me foi incutido e o que aprendi posteriormente, numa guerra entre o antigo e bolorento e o novo e misterioso, em que todas as coisas que tinha como certas e imutaveis, afinal nao passavam de meras mentiras e ilusoes, em que me apercebo de que todas as coisas que me foram incutidas eram falsas, de que afinal todos os meus fantasmas antepassados e os seus ensinamentos estavam em grande parte errados e de que o mundo e toda a sua realidade e totalmente diferente e de uma enorme complexidade e que afinal sou mais e tenho mais em mim do que aquilo que me foi levado a pensar que era e tinha.
E penso, de que e tempo de recomecar de novo, de despir a velha pele e recomecar de novo comigo mesmo e partir, sem olhar para tras, tenho a necessidade de abandonar tudo e respirar o vento, sentir a verdadeira liberdade da qual comeco a ter vislumbres.
As palavras teem poder e isto nao e um conceito vazio e uma verdade, embora para mim as mais poderosas sejam sim e nao, porque sao o nosso livre arbitrio exteriorizado, todas as palavras teem real poder porque estao impregnadas da realidade que tentam exprimir, palavras como amor, verdade, mentira, paixao, odio, sao extremamente poderosas porque tem o poder de mudar vidas so pelo simples emprego de uma delas em alguma ocasiao que as pronunciemos, liberdade e uma delas.

Liberdade, como e que uma simples palavra pode exprimir tudo aquilo que esta consegue? E como e que esta palavra e o conceito por detras dela nos pode escravizar?

Por exemplo estamos a tornar-nos escravos do sistema e das instituicoes em prol desta palavra.
Ouco muita gente a falar de liberdade, eu proprio falo muito de liberdade, mas afinal saberei o que e a verdadeira liberdade?
Para ja o que e liberdade? qual o conceito?

..."Liberdade, em filosofia, designa de uma maneira negativa, a ausência de submissão, de servidão e de determinação, isto é, ela qualifica a independência do ser humano. De maneira positiva, liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional. Isto é, ela qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários."... (http://pt.wikipedia.org/wiki/Liberdade).

Temos a nocao de que a liberdade e um acto fisico, mas a liberdade nao e somente fisica, nao se processa principalmente a nivel fisico mas sim a nivel psicologico, a verdadeira liberdade processa-se quando conseguimos nos libertar de nos mesmos, da prisao da nossa mente, ela e a senhora toda poderosa de nos, a nossa mente e o que nos retem enclausurados aos nossos pequenos/grandes vicios, medos, orgulhos, vaidades, odios, credos, dogmas, desejos, sonhos, ela e que nos mantem no aqui e no agora, no presente e no passado, no espaco e no tempo.

Mas como nos libertarmos da sempre e omipresente mente, razao e pensamento, como nos libertarmos de nos mesmos, como conhecermos a verdadeira liberdade?

Qual a forma de buscarmos a liberdade total do ser? A nossa condicao primeva.

Para evoluir, o homem deve primeiro libertar a sua consciencia das amarras da ordem social, liberdade e alcancar nem que seja por breves instantes algo mais do que simples pensamentos e sentimentos, mas isso seria entrar em campos desconhecidos das nossas pessoas afim de obtermos o conhecimento total de nos e isso requer disciplina, vontade e uma total ausencia de medo, ou seja a verdadeira liberdade nao seria so a constituicao e a condicao dos comportamentos humanos voluntarios mas o transcender desses mesmos comportamentos, seria a nao limitacao, o completo acesso ao mais intimo de nos, o total acesso ao controle de nos mesmos e da nossa existencia, a verdadeira liberdade em toda a acepcao da palavra.

Resta saber ate que ponto estamos preparados para isso, ate que ponto estamos preparados a prescindir dos nossos conceitos pessoais e sociais, das rotinas da nossa vida em busca da liberdade, resta saber ate que ponto deixamos de somente falar, deixamos de somente sonhar com ela e passamos a descobri-la por inteiro, a aceita-la como facto e a faze-la parte integrante da nossa forma de estar e de ser, resta saber ate que ponto nos conseguiremos transcender a nos mesmos na realizacao do facto de conseguirmos e podermos ser realmente livres de amarras de todo o tipo, livres das amarras de nos mesmos, livres das amarras da nossa consciencia.

domingo, 23 de agosto de 2009

Agostinho da Silva - «Estou aqui para olhar»

«Estou aqui para olhar». Era desta maneira que Agostinho da Silva interrompia as aulas que leccionava e ia para uma janela contemplar o exterior.


Ha alguns anos atras, fui assistir no liceu onde andava, a uma palestra, ou melhor a uma conversa (pois porque este senhor tinha conversas nao palestras), entre um professor universitario e alguns poucos alunos interessados no que ele tinha para dizer, esse professor era George Agostinho Baptista da Silva ou melhor o Professor Agostinho da Silva (13 de Fevereiro de 1906 — 3 de Abril de 1994).
Agostinho da Silva foi um filosofo, poeta e ensaista Portugues, que esteve empenhado atraves da sua vida e obra, numa mudança da sociedade e das mentalidades e que afirmava a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano, e referenciado como um dos principais intelectuais portugueses do seculo XX.
De Portugal, disse que devia ser o mais livre possivel dos tropecos do Estado, animado por missionarios e peregrinos, marcando como lugares sagrados todos os elementos de universo, quer do concreto quer do pensado, e sabendo que o acesso a eles nao passa pelas armas,mas sim atraves de todos os esforcos culturais que tendam, a entender todo o alheio e a exaltar o diferente acima do igual sem perder as faculdades do que lhe e proprio.
Espirito livre, inconformista e original em todos os dominios, colocou as ideias e a vida ao servico do pleno cumprimento de todas as possibilidades humanas, inspirador da Comunidade dos Paises de Lingua Portuguesa (CPLP), antecipou a urgencia da etica animal, bem como da consciencia ecologica, propondo um verdadeiro dialogo inter e trans-cultural, inter e trans-religioso, entre o Norte e o Sul, o Ocidente e o Oriente, apologista do debate de ideias que, num ciclo conturbado da civilizacao, pode promover um novo Renascimento integral e planetario, como forma de superar preconceitos e antinomias que sempre resultam em desarmonia, opressao e guerra.



  • «Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura, já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.» Agostinho da Silva, in "Sete Cartas a Um Jovem Filósofo".

  • «É certamente admirável o homem que se opõe a todas as espécies de opressão, porque sente que só assim se conseguirá realizar a sua vida, só assim ela estará de acordo com o espírito do mundo; constitui-lhe suficiente imperativo para que arrisque a tranquilidade e bordeje a própria morte o pensamento de que os espíritos nasceram para ser livres e que a liberdade se confunde, na sua forma mais perfeita, com a razão e a justiça, com o bem; a existência passou a ser para ele o meio que um deus benevolente colocou ao seu dispor para conseguir, pelo que lhe toca, deixar uma centelha onde até aí apenas a treva se cerrara; é um esforço de indivíduo que reconheceu o caminho a seguir e que deliberadamente por ele marcha sem que o esmoreçam obstáculos ou o intimide a ameaça; afinal o poderíamos ver como a alma que busca, após uma luta de que a não interessam nem dificuldades nem extensão.» Agostinho da Silva, in "Considerações".

  • «As liberdades essenciais são três: liberdade de cultura, liberdade de organização social, liberdade económica. Pela liberdade de cultura, o homem poderá desenvolver ao máximo o seu espírito crítico e criador; ninguém lhe fechará nenhum domínio, ninguém impedirá que transmita aos outros o que tiver aprendido ou pensado. Pela liberdade de organização social, o homem intervém no arranjo da sua vida em sociedade, administrando e guiando, em sistemas cada vez mais perfeitos à medida que a sua cultura se for alargando; para o bom governante, cada cidadão não é uma cabeça de rebanho; é como que o aluno de uma escola de humanidade: tem de se educar para o melhor dos regimes, através dos regimes possíveis. Pela liberdade económica, o homem assegura o necessário para que o seu espírito se liberte de preocupações materiais e possa dedicar-se ao que existe de mais belo e de mais amplo; nenhum homem deve ser explorado por outro homem; ninguém deve, pela posse dos meios de produção e de transporte, que permitem explorar, pôr em perigo a sua liberdade de Espírito ou a liberdade de Espírito dos outros. No Reino Divino, na organização humana mais perfeita, não haverá nenhuma restrição de cultura, nenhuma coacção de governo, nenhuma propriedade. A tudo isto se poderá chegar gradualmente e pelo esforço fraterno de todos.» Agostinho da Silva, in "Textos e Ensaios Filosóficos".


  • «A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de separar e distinguir ou dominado pelos sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; banirá do seu campo a histeria e a retórica; e substituirá a musa trágica por Platão e os geómetras. Hei-de vê-lo depois de despido de egoísmo, atente somente aos motivos gerais; o seu bem será sempre o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem os seus irmãos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.
    Nenhuma vontade de domínio; mandar é do mundo das aparências, tornar melhor de um sólido universo de verdades; se tiver algum poder somente o veja como um indício de que estão ainda muito baixos os homens que lho dão; incite-o o sentir-se superior a mais nobre e rude esforço para que se esbatam e percam as diferenças; não aproveite para mostrar a sua força a fraqueza dos outros; o bom lutador deseja que o combatam mais rijos lutadores. Será grato aos contrários, mesmo aos que veem armados da calúnia e da injúria; compassivo da inferioridade que demonstram fará tudo que puder para que melhorem e se elevem; responderá à mentira com a verdade e ao ódio com o bem; tenazmente se recusará a entrar nos caminhos tortuosos; se o conseguirem abater, tocará com humildade a terra a que o lançaram, descobrirá sempre que do seu lado esteve o erro e de novo terá forças para a luta; e se o aplaudirem pense logo que houve um erro também.» Agostinho da Silva, in "Considerações e Outros Textos".