“Uma vez eu tive um sonho...” E desta forma que comeca uma das mais significativas e belas obras do mestre Akira Korusawa e que representa a uniao de varios tipos de arte nomeadamente o cinema a pintura e a poesia.
Em Sonhos o realizador Akira Kurosawa (Seven Samurais, Ran), coloca na tela a sua sensibilidade e os seus sentimentos em relacao a vida, a morte, a guerra, a destruicao, a ganancia, ao egoismo, a natureza e ao ambiente que nos rodeia.
Sonhos seria um de seus últimos trabalhos (viria a falecer em Setembro de 1998).
O filme é dividido em 8 sonhos, ou segmentos, deixo aqui o ultimo sonho de Kurosawa ou "Village of the Watermills" (“Povoado dos Moinhos”), uma ode a vida, a morte e a natureza :
...Indagado sobre porque nao ha eletricidade no local, o velho responde: “Nao precisamos. As pessoas acostumam-se ao conforto. Acham que o conforto é melhor. Rejeitam o que e realmente bom”. E com uma sabia simplicidade ele tambem responde como ficam a noite, que e tao escura: “Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não ia querer noites claras, que não deixassem ver as estrelas.”
http://www.youtube.com/watch?v=fRcuBRMA2sU (parte 1)
http://www.youtube.com/watch?v=y0RCRqGXqkU&feature=related (parte 2)
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sábado, 25 de julho de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Little Nemo in Slumberland
No seguimento sobre a nossa conversa acerca do sonhar vou tentar colocar aqui alguns filmes, livros e outros que abordem o tema, claro que me vou esquecer de muitos e muitos mais tb ficarao por falar, mas vou fazer um esforco em relacao aqueles que me lembro. E vou iniciar com uma das minhas bandas desenhadas preferidas e que foi por diversas vezes colocada em cinema, inicialmente foram uma serie de tiras semanais publicadas no New York Herald e New York American entre 1905 e 1913. Estas tiras tinham o nome de Little Nemo in Slumberland e depois In the Land of Wonderful Dreams na mudanca de jornal e eram desenhadas por Winsor McCay (http://pt.wikipedia.org/wiki/Winsor_McCay).
Estas tiras narravam os sonhos de Nemo (que significa "ninguem" em latim), no propósito de chegar a Slumberland, onde ele havia sido chamado pelo rei Morpheus, para ser o colega de brincadeiras da princesa Camille.
A ultima vinheta de cada tira sempre representava Nemo acordando, geralmente sobre a cama ou caido junto a ela, o evento que o acordava era sempre um contratempo ou desastre que parecia prestes a levá-lo a se ferir ou eventualmente morrer.
A "Slumberland" (Terra dos Sonhos) adquiriu um duplo significado, referindo-se não apenas ao reino encantado de Morpheus, mas ao estado de sonho propriamente dito pois Nemo também mais tarde iria ter aventuras oníricas em outros lugares imaginários e tb no mundo da "normalidade", mundo esse que se tornava anormalmente fantástico devido ao facto de ser baseado numa realidade onirica.
A arte e simplesmente fenomenal estava-se no inicio do seculo XX, e a Art Nouveau (que teve grande destaque nas últimas decadas do século XIX e primeiras decadas do século XX), estava a revolucionar os estilos graficos, arquitectonicos e artisticos e que teve grande destaque durante a Belle Epoque e aqui se nota a grande influencia no estilo da criacao de Nemo.
Mais uma vez falamos de sonhos, de como os sonhos estao relacionados com a realidade e de como o sonho faz parte integrante da nossa existencia.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Pedra Filosofal
Aproveitando o embalo do anterior post sobre a Mirrormask, vou comecar a colocar alguns posts sobre o sonho, o acto de sonhar e a realidade onirica.
E gostaria de abordar esse tema com uma musica bastante conhecida, mas mais propriamente com o poema em si e tentar aprofundar um pouco mais da mensagem contida nele, para isso vou sublinhar algumas palavras do primeiro paragrafo.
Gostaria ainda de fazer um pequeno aparte em relacao ao nome do poema que curiosamente nao aparece referenciado no mesmo mas subentendido na frase "...magia, que é retorta de alquimista', a pedra filosofal nao era mais do que o principal objetivo, o santo Graal dos alquimistas, o trabalho relacionado com a pedra filosofal era chamado pelos alquimistas de "A Grande Obra". O poema e de Antonio Gedeao e basta ler a bibiografia dele para se compreender que era uma pessoa que sabia bem aquilo que estava a escrever.
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
In Movimento Perpétuo, 1956
E a mensagem nao e mais do que : Eles nao sabem que o sonho e uma realidade concreta, palpavel e absolutamente real.
Ou seja nos nao sabemos o real poder que o sonho encerra em si, poder esse que e de tal forma concreto que esta na base de todo o desenvolvimento da sociedade moderna.
Acho que vale a pena pensar nisto.
E gostaria de abordar esse tema com uma musica bastante conhecida, mas mais propriamente com o poema em si e tentar aprofundar um pouco mais da mensagem contida nele, para isso vou sublinhar algumas palavras do primeiro paragrafo.
Gostaria ainda de fazer um pequeno aparte em relacao ao nome do poema que curiosamente nao aparece referenciado no mesmo mas subentendido na frase "...magia, que é retorta de alquimista', a pedra filosofal nao era mais do que o principal objetivo, o santo Graal dos alquimistas, o trabalho relacionado com a pedra filosofal era chamado pelos alquimistas de "A Grande Obra". O poema e de Antonio Gedeao e basta ler a bibiografia dele para se compreender que era uma pessoa que sabia bem aquilo que estava a escrever.
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
In Movimento Perpétuo, 1956
E a mensagem nao e mais do que : Eles nao sabem que o sonho e uma realidade concreta, palpavel e absolutamente real.
Ou seja nos nao sabemos o real poder que o sonho encerra em si, poder esse que e de tal forma concreto que esta na base de todo o desenvolvimento da sociedade moderna.
Acho que vale a pena pensar nisto.
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Mirrormask (2005)
Vi esta semana um filme da parceria de Neil Gaiman (argumentista, romancista, novelista) com Dave Mckean (ilustrador, desenhador, pintor) para a Jim Henson Company, para aqueles que apreciam banda desenhada estes nomes nao serao totalmente desconhecidos.
O nome do filme e "Mirrormask" http://www.youtube.com/watch?v=GA1iawlsKLg , sendo todo ele uma verdadeira delicia grafica, uma mistura entre Alice Atraves do Espelho e o Feiticeiro do Oz, Hieronymus Bosch e Dali, tudo misturado numa versao gotica, se ja de si nao bastasse o argumento sensivel e bem enredado de Gaiman, McKean transforma a pelicula numa entidade onirica viva e maravilhosa em tons de ocre, dando um visual simplesmente espetacular a cada cena, e como se vissemos em movimento, uma das obras de arte de McKean, o filme e todo ele uma Graphic Novel viva, quem conhece as obras de McKean sente-se como se estivesse dentro de uma delas.
O filme narra a historia de Helena, filha de artistas de circo, que apenas quer ter uma vida normal, so esta envolvencia circense faz com que comecemos a aperceber toda a envolvencia magica que se vai transmitir ao longo do filme, Helena eximia ilustradora (na verdade todos os desenhos sao rascunhos de McKean), ela cria atraves dos seus desenhos todo um outro mundo que cola na parede do quarto. Quando a mae de Helena adoece ela começa um verdadeiro passeio onirico, atraves de um universo magico onde se apercebe de que a figura principal desse mundo e ela mesmo pois esse universo nao e mais do que o mundo que criou atraves dos seus desenhos.
Ela apercebe-se que esta enclausurada no próprio mundo ilustrado que criou e obtém vislumbres de outra Helena através das pequenas janelas das ilustracoes e de que esse universo esta a ser destruido pelas sombras, já que o equilíbrio foi quebrado quando a princesa das trevas a filha da Rainha Negra (que nao e mais do que o lado negativo que ela ve na mae) e que e o proprio alter-ego de Helena que usou a Mirrormask para tomar o seu lugar no “mundo real” comecando a destruir todos os desenhos que se encontram na parede para fugir da mae, afim de evitar o falecimento da Rainha Branca (o lado positivo da mae) e a destruição daquele mundo, Helena precisa de encontrar a Mirrormask, sendo que so ela pode inverter a situacao, para isso vai contar com a ajuda de Valentine, um malabarista que conhece aquele mundo.
Mais uma vez tudo gira a volta do sonho, nao fosse mesmo esse o tema mais usual do universo de Gaiman (nao esquecer que e o criador de Coraline e de Sandman), sonho e realidades oniricas que serao motivos para uns futuros posts.
Todo o visual do filme é simplesmente espetacular.
Um filme a nao perder.
http://stagevu.com/video/aowwknjlwoeq
O nome do filme e "Mirrormask" http://www.youtube.com/watch?v=GA1iawlsKLg , sendo todo ele uma verdadeira delicia grafica, uma mistura entre Alice Atraves do Espelho e o Feiticeiro do Oz, Hieronymus Bosch e Dali, tudo misturado numa versao gotica, se ja de si nao bastasse o argumento sensivel e bem enredado de Gaiman, McKean transforma a pelicula numa entidade onirica viva e maravilhosa em tons de ocre, dando um visual simplesmente espetacular a cada cena, e como se vissemos em movimento, uma das obras de arte de McKean, o filme e todo ele uma Graphic Novel viva, quem conhece as obras de McKean sente-se como se estivesse dentro de uma delas.
O filme narra a historia de Helena, filha de artistas de circo, que apenas quer ter uma vida normal, so esta envolvencia circense faz com que comecemos a aperceber toda a envolvencia magica que se vai transmitir ao longo do filme, Helena eximia ilustradora (na verdade todos os desenhos sao rascunhos de McKean), ela cria atraves dos seus desenhos todo um outro mundo que cola na parede do quarto. Quando a mae de Helena adoece ela começa um verdadeiro passeio onirico, atraves de um universo magico onde se apercebe de que a figura principal desse mundo e ela mesmo pois esse universo nao e mais do que o mundo que criou atraves dos seus desenhos.
Ela apercebe-se que esta enclausurada no próprio mundo ilustrado que criou e obtém vislumbres de outra Helena através das pequenas janelas das ilustracoes e de que esse universo esta a ser destruido pelas sombras, já que o equilíbrio foi quebrado quando a princesa das trevas a filha da Rainha Negra (que nao e mais do que o lado negativo que ela ve na mae) e que e o proprio alter-ego de Helena que usou a Mirrormask para tomar o seu lugar no “mundo real” comecando a destruir todos os desenhos que se encontram na parede para fugir da mae, afim de evitar o falecimento da Rainha Branca (o lado positivo da mae) e a destruição daquele mundo, Helena precisa de encontrar a Mirrormask, sendo que so ela pode inverter a situacao, para isso vai contar com a ajuda de Valentine, um malabarista que conhece aquele mundo.
Mais uma vez tudo gira a volta do sonho, nao fosse mesmo esse o tema mais usual do universo de Gaiman (nao esquecer que e o criador de Coraline e de Sandman), sonho e realidades oniricas que serao motivos para uns futuros posts.
Todo o visual do filme é simplesmente espetacular.
Um filme a nao perder.

http://stagevu.com/video/aowwknjlwoeq
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